O Parto no Brasil Hoje

O Parto no Brasil hoje

O mais recente relatório global do UNICEF (Situação Mundial da Infância 2011) mostrou que a taxa de cesárea no Brasil é a maior do mundo, de 44% (de 2005 a 2009), enquanto a Organização Mundial da Saúde recomende que apenas 15% dos partos sejam operatórios.

Em muitos hospitais, o parto se tornou uma extração vaginal ou abdominal dentro de uma linha de produção. A conseqüência é que muitas mulheres são colocadas totalmente à distância de sua própria capacidade inata de dar à luz, e as obstetrizes estão perdendo suas habilidades intuitivas a medida que passam a depender mais de tecnologias. A habilidade natural de dar à luz e da maternidade não são mais transmitidas de mulher para mulher.

Possíveis explicações para que as taxas tão altas de cesarianas no Brasil estão diretamente ligadas a fatores sócio-culturais, dentre elas: as conveniências de tempo e financeiras para o profissional médico; o modelo de organização da assistência obstétrica no país; a falta de leitos nos pré-partos dos hospitais; a cultura da “cesariana a pedido da mãe”; a possibilidade de realização concomitante de ligadura de trompas durante a cirurgia; e a carência de preparo adequado da classe médica atual para o atendimento ao parto natural e humanizado, que ocorre em parte porque a cesariana passou a ser aceita culturalmente como um modo normal de dar à luz um bebê.

No Brasil chegamos do auge da medicalização do parto, e nem por isto nossas taxas de mortalidade e morbidade estão diminuindo. Na maioria das maternidade privadas, as taxas de cesárea chegam a 80, 90 ou até 100%.

Quando não é cesárea, é um parto normal repleto de intervenções. Quando uma mulher escolhe ter um bebê em determinada maternidade, está sujeita às regras daquele estabelecimento. O que se nota nas últimas décadas é que as maternidades privadas estão ficando cada vez mais parecida com hotéis. Existe serviço de quarto, restaurante 24 horas, horário livre para visitas, lojinhas de conveniência, TV, frigobar, recepcionistas elegantes, berçarios bem decorados, sala de espera acarpetada com sofás de couro. São grandes empresas cada uma procurando seu lugar ao sol nesse mercado que é o nascimento de bebês. O Grande drama no entanto, é que nestas mesmas maternidades  os indíces de cesárea giram em torno de 75 % à 90 %. O que seria um lugar para as mulheres darem à luz a seus bebês, virou um grande centro de cirurgias obstétricas. O evento natural foi transformado em um evento cirúrgico.

Embora este seja o padrão brasileiro de atendimento, ele vai quase totalmente contra  as regulamentações da OMS. Alguns exemplos: tricotomia, soro, episiotomia de rotina, separação da mãe de bebê, aspiração de rotina.

No mundo inteiro, mais e mais mulheres têm procurado formas alternativas para dar à luz. No serviço particular no Brasil cerca de 80% dos partos são cesáreas, dos 20% normais, quase todos são feitos com a mulher deitada, com as pernas em estribos, anestesiada, dentro de centros cirúrgicos.

Apenas uma fração pequena dos partos acontece de forma mais natural ou fisiológica. As razões para esse descompasso em relação ao resto do mundo misturam cultura médica, interesses financeiros, desconhecimento da classe médica e da população, falta de ambientes adequados, entre outros fatores.

O que o Parto Natural é, e seus benefícios 

O parto é um evento social, familiar, emocional, psicológico e espiritual. O parto é tudo menos um evento médico. O momento correto para o bebê nascer é quando o corpo da mãe está preparado, quando o pulmão do bebê está maduro em toda a sua condição fisiológica. É o momento em que a natureza determina a hora de nascer.

A Humanização do Parto 

Humanizar o parto é dar à mulher o que lhes é de direito: um atendimento focado nas suas necessidades, e não em crenças e mitos. Parto Humanizado não é uma “técnica de parto”, é simplesmente focar o atendimento na mulher. Oferecer o que à família desejar e basear as condutas nas evidências científicas e nas suas recomendações da Organização Mundial da Saúde.

Entre as vantagens do parto natural, estão: 

– A maioria das mulheres pode ter, sem contraindicações.

– Permite à natureza seguir seu rumo, deixando o bebê nascer no tempo certo.

– Recuperação é rápida, o que favorece a lactação.

– Fortalecimento emocional da mãe e do bebê, pois ambos superam o maior e o primeiro desafio que é o nascer.

– Poupa o bebê de receber as químicas da analgesia.