Ecologia Feminina – A relação da mulher com a Terra

Ecologia Feminina – A relação da mulher com a Terra

Por Ana Paula Silva

A Ecologia Feminina é uma prática que a mulher tende a procurar quando deseja se harmonizar com a natureza.
Gestos tão simples que encontramos em nossas avós e ancestrais significam muitas vezes para nós, mulheres modernas, uma revisão da própria vida, quando colocamos em cheque tabus e hábitos, para construir uma relação mais harmoniosa de cuidado com o próprio corpo e com o Planeta.
Nas  culturas indígenas e maias  a Terra é vista como a Grande Mãe que nos dá abrigo e nos alimenta, segundo essas culturas, a existência humana é essencialmente conectada ao Planeta. As qualidades femininas da natureza são expressas pela receptividade da Terra ao receber, acolher, nutrir e oferecer todos os recursos necessários para que a planta germine, cresça, floresça e produza novas sementes concebendo suas múltiplas expressões de vida.

Podemos observar práticas femininas ancestrais e ecológicas, como a devolução do ciclo menstrual para nutrir a Terra, que foram modificadas pela cultura e de maneira efetiva desconectaram a mulher do cuidado consigo mesma e com o Planeta.

Segundo o site Museu da Menstruação (http://www.mum.org/), no ano de 1888 os absorventes femininos começaram a ser vendidos, eram aqueles em formato de almofada, adaptações dos que as enfermeiras norte-americanas preparavam para elas próprias usarem, feitos de gaze e outros materiais hospitalares a que tinham vasto acesso. Desde então o absorvente feminino descartável passou a ser comercializado com forte apelo publicitário à sua praticidade, marcando início à era dos descartáveis. As primeiras propagandas veiculadas para o produto, em 1921, pela Kotex, destacavam que os absorventes descartáveis eram muito mais limpos e assépticos, confortáveis.  Mas atualmente na contramão de todas as campanhas, vêm crescendo o movimento que quer abolir os absorventes descartáveis volta absorventes de tecido, por serem uma  solução mais natural para a pele sensível da vulva, além de muito mais econômicos e praticamente não-agressivos ao meio ambiente.

A Ecologia Feminina é um termo muito abrangente e profundo, e pelo viés da sustentabilidade, podemos identificar pelo menos cinco temas de grande impacto e muito palpáveis a todos nós: Consumo Consciente; Lixo: Absorventes Femininos e Fraldas Descartáveis; Humanização do Parto; Aleitamento Materno e Educação Ativa.

Consumo Consciente

Quando optamos por financiar pessoas e empresas que estão fazendo a sua parte, também fortalecemos esse trabalho. Nossas decisões de consumo são como os votos em uma eleição: o maior número decide quem ganha. Por isso, quanto mais optamos por produtos e empresas realmente preocupadas em fazer do mundo um lugar melhor, mais fortalecemos esse movimento e mais rápido veremos as mudanças necessárias.
Praticar o consumo consciente significa buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade socioambiental, maximizando as conseqüências positivas deste ato não só para si mesmo, mas também para as relações com a sociedade, economia e natureza. Este também busca disseminar o conceito e a prática do consumo responsável, fazendo com que pequenos gestos realizados por muitas pessoas promovam grandes transformações.

Sugestões de práticas visando o consumo consciente:

 – Comprar roupas, alimentos e outras mercadorias na medida certa para o consumo individual ou da família, visando evitar ao máximo o desperdício;
– Gastar água e energia somente o necessário, evitando ao máximo o desperdício;
– Reutilizar produtos e bens naturais sempre que possível;
– Promover a separação e reciclagem do lixo;
– Usar sistemas que evitem o desperdício de água e energia nas residências;
– Valorizar e adquirir produtos de empresas que demonstram preocupações sociais e ambientais;
– Utilizar sacolas retornáveis para transportar os produtos adquiridos em supermercados;
– Valorizar o consumo de produtos orgânicos que, além de serem benéficos à saúde, a produção envolve práticas de respeito ao meio ambiente.

Lixo: Absorventes Femininos
Uma mulher que utiliza absorventes descartáveis para conter seu fluxo menstrual produz, desde a sua puberdade até a menopausa, aproximadamente 10 a 15 mil absorventes descartáveis de lixo, resíduo excessivo e de grande impacto ecológico para o Planeta.

Absorventes e tampões descartáveis são feitos de papel alvejado, plástico e contêm ingredientes químicos inconvenientes à saúde da mulher, como metais, surfactantes, desinfetantes, fragrância, bactericida, fungicida, gel absorvente, colas, traços de organocloretos  (pesticidas), entre outras coisas. A legislação brasileira não regula os componentes dos produtos menstruais e as indústrias não precisam listá-los nas embalagens.

Componentes como organocloretos e dioxina, subprodutos do processo de branqueamento, têm sido associados a problemas de saúde em humanos e animais, contribuindo para o câncer de mama, deficiências do sistema imunológico, endometriose, defeitos no feto e câncer de colo de útero (cérvix).

Alternativas ecológicas disponíveis:

Além de serem práticas, econômicas e ecológicas, visto que custam menos ao bolso e reduzem consideravelmente a produção de lixo no Planeta, o uso das alternativas abaixo incentiva a valorização e aceitação do processo natural do corpo. Em ambos os casos o sangue pode ser devolvido para a natureza como adubo e alimento para as plantas, pois contém uma gama de nutrientes e energia vital que fertilizam a Terra.
Absorventes femininos de pano são laváveis, confeccionados em tecido de algodão, permitem ao corpo respirar livre de produtos químicos e plástico e não contêm químicas.

Copo coletor de silicone: além de ter a praticidade de ser interno, é reutilizável e lavável, e pode ser fervido para esterilização ao final do ciclo, ou colocado em água oxigenada por algumas horas antes de ser guardado para o mês seguinte. Normalmente possui durabilidade média de 10 anos.