Bebês Ecológicos – Uma relação entre a sustentabilidade e cuidado com os bebês

Bebês Ecológicos – Uma relação entre a sustentabilidade e cuidado com os bebês

Um dos aspectos mais importantes dentro dos temas sustentabilidade e ecologia é a vida de uma criança – sua chegada a este mundo, a forma como é concebida e gestada – como base para uma humanidade verdadeiramente fraterna. Compreender o início da vida como período determinante para o futuro do planeta é um convite para uma das maiores mudanças de paradigmas. 

Segundo o médico obstetra e apoiador da Humanização do Parto, Dr. Jorge Kun, o parto é um evento social, familiar, emocional, psicológico e espiritual. O parto é tudo menos um evento médico. O momento correto para o bebê nascer é quando o corpo da mãe está preparado, quando o pulmão do bebê está maduro em toda a sua condição fisiológica. É o momento em que a natureza determina a hora de nascer.
O mais recente relatório global do UNICEF (Situação Mundial da Infância 2011) mostrou que a taxa de cesárea no Brasil é a maior do mundo, de 44% (de 2005 a 2009), enquanto a Organização Mundial da Saúde recomende que apenas 15% dos partos sejam operatórios.

Para reverter a atual situação no Brasil, é preciso que a sociedade – principalmente as famílias – seja conscientizada sobre os benefícios do parto normal e que os profissionais de saúde só indiquem o parto operatório nos casos necessários.
Possíveis explicações para que as taxas tão altas de cesarianas no Brasil estão diretamente ligadas a fatores sócio-culturais, dentre elas: as conveniências de tempo e financeiras para o profissional médico; o modelo de organização da assistência obstétrica no país; a falta de leitos nos pré-partos dos hospitais; a cultura da “cesariana a pedido da mãe”; a possibilidade de realização concomitante de ligadura de trompas durante a cirurgia; e a carência de preparo adequado da classe médica atual para o atendimento ao parto natural e humanizado, que ocorre em parte porque a cesariana passou a ser aceita culturalmente como um modo normal de dar à luz um bebê.

Entre as vantagens do parto natural, estão:
– A maioria das mulheres pode ter, sem contraindicações.
– Permite à natureza seguir seu rumo, deixando o bebê nascer no tempo certo.
– Recuperação é rápida, o que favorece a lactação.
– Fortalecimento emocional da mãe e do bebê, pois ambos superam o maior e o primeiro desafio que é o nascer.
– Poupa o bebê de receber as químicas da analgesia.

Aleitamento Materno

O aleitamento materno exclusivo é algo que deveria acontecer de forma natural, sem muitos obstáculos. Porém, durante muitos e muitos anos tivemos a influência massiva da mídia, reforçando o abandono do hábito de amamentar, fato que vem ocorrendo desde que o leite de vaca processado e as fórmulas industrializadas entraram em nosso mercado consumidor.
Após décadas de desuso da prática do aleitamento materno, por opção de utilizar fórmulas lácteas industrializadas, muitas mulheres perderam o instinto materno que fazia do aleitamento materno exclusivo ( sem a complementação de outros alimentos) algo bem natural. E para aquelas que optam pelo aleitamento materno, muitas vezes faltam apoio profissional e familiar.
A composição do leite materno está adaptada às necessidades do bebê humano. É por isso que o aleitamento previne mortes infantis e promove a saúde física e mental da criança e da mãe. O leite materno tem 97% de água e por isto é facilmente digerido, ao contrário do leite de vaca – base das fórmulas infantis (leites modificados) que são de difícil digestão e demoram 3 horas para que ocorra o esvaziamento gástrico.

Educação Ativa

Uma pessoa amada e respeitada, nas suas verdadeiras necessidades em cada uma de suas etapas de desenvolvimento, tende a se tornar um adulto que convive em paz e respeito consigo mesmo, com seus iguais e com a natureza, se tornando co-construtor de um planeta com as mesmas características.

Dentro da família, a criança começa a ser educada tanto para a paz quanto para a violência. É através das atitudes dos pais que a criança obtém exemplo para agir e viver no planeta de forma mais pacífica e ecológica.

As bases para construção da educação para paz se baseia em três princípios fundamentais: a CNV (Comunicação Não Violenta), Desescolarização (Processo de desaprender paradigmas) e a Educação Ativa.

Para as famílias que desejam aprofundar temas e receber suporte aos inúmeros desafios no lar e na escola, existe atualmente o grupo Famílias Educadoras que compartilha, com apoio de profissionais, experiências como as de criar ambientes que satisfaçam as necessidades individuais de acordo com a idade e permitir a autonomia necessária para que a aprendizagem se faça de dentro para fora.

Consumo Consciente

Praticar o consumo consciente significa buscar o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade socioambiental, maximizando as conseqüências positivas deste ato não só para si mesmo, mas também para as relações com a sociedade, economia e natureza. Este também busca disseminar o conceito e a prática do consumo responsável, fazendo com que pequenos gestos realizados por muitas pessoas promovam grandes transformações. A criança nos dá a oportunidade de trabalharmos o consumo consciente desde muito cedo:

Lixo: Fraldas Descartáveis
Um bebê utiliza em média 124 fraldas descartáveis por mês, totalizando uma média de 3.000 (três mil) fraldas em dois anos de vida.
Só nos EUA, vão para o lixo 18 bilhões de fraldas descartáveis por ano. Uma vez usadas, cerca de 90 % delas entram no ciclo do lixo caseiro, sendo destinados para o sistema de coleta municipal, aterros sanitários ou clandestinos, criando de imediato um problema ambiental e de saúde pública.
Além do impacto causado pela produção de lixo em excesso, há o impacto causado pela produção das fraldas descartáveis. Anualmente, são utilizadas 100.000 toneladas de plástico e 800.000 toneladas de celulose (polpa de árvores) na fabricação das fraldas descartáveis.
A fralda de pano evita assaduras por alergias e favorece a consciência corporal do bebê, pois quando o mesmo faz xixi no gel este imediatamente se solidifica, assim o bebê deixa de perceber o xixi líquido e isto faz com que o desfralde aconteça mais tarde.
Até o início dos anos 80, a grande maioria dos bebês utilizava somente fraldas de pano. Hoje, devido à busca de praticidade de pais e mães, as fraldas de pano estão esquecidas, e as descartáveis correspondem a mais de 90% das vendas de fraldas no Brasil.
Mesmo para uma mãe que não consegue utilizar somente fraldas de pano, vale tentar usar ao menos 50% de fradas laváveis e oferecer uma melhor qualidade de vida ao seu bebê e ao planeta.

Por Ana Paula Silva, é Formada em Yogaterapia e Naturopatia, co–idealizadora da Morada da Floresta e responsável pelo desenvolvimento do conceito e dos produtos Bebês Ecológicos e Ecologia Feminina.  Mãe e educadora de Violeta e Micah.